The Legacy Of the Mages - Cap Um.

Author: O Escritor / Marcadores: ,

Sombria como a escuridão e silenciosa como a cavalgada do último cavaleiro descendente dos Vü’Lamarc era aquela noite de inverno, ficamos perdidos durante horas a devirá até atracarmos em terra firme em algum lugar do Oceano Linártico, o frio nos impedia de pensarmos direito e afetava seriamente o que fazíamos, não sabíamos ao certo na onde havíamos atracado, mas com certeza era uma terra morta, suja de sangue, nada havia lá, nem ao menos uma flor ou árvore, pensei em ter visto algum animal se espreitando ao longe entre as rochas, mas era apenas a água batendo levemente entre os rochedos, não havia nada, absolutamente nada, éramos apenas corpos resistindo ao intenso frio dessas terras, os únicos que restaram do grande exército de Hän’ku.

Ao descermos de nossa embarcação equipados com apenas o essencial, começamos a andar em meio à névoa sobre um terreno rachado e escuro. Oravel, com sua determinação e coragem, guiava-nos bravamente, outros guerreiros seguiam-no com tochas para iluminar o caminho, mas assim mesmo não era possível ver muita coisa, continuamos a andar silenciosamente a fim de encontrar algum lugar para nos alojar até o nascer do sol, sentia-se o medo na face de cada guerreiro ali naquela jornada sem rumo algum, talvez estávamos indo para a morte, mais ninguém sabia ao certo o quer nos aguardava, as forças inimigas deveriam estar por perto, não existia muitos lugares para se escapar, o frio era intenso, devo ter ouvido algum dos guerreiros mencionarem que talvez estivesse fazendo dez fritz ou menos. Oravel parou quando a chama das tochas se esvaíram por completo, mas logo continuamos assim mesmo a subir uma pequena colina, a escuridão nos encobriu por completo, foi quando a luz da lua, em meio às nuvens, reluziu por alguns segundos uma árvore morta, distorcida, com uma espécie de tecido rasgado pendurado em seus galhos, todos nós olhamos para ela, e por algum tempo ficamos paralisados, porque não havia só aquela maldita árvore, mais sim um aviso do que estava para acontecer, uma espécie de enigma, porém nenhum de nós sabia naquele momento, era uma placa com letras pretas e meio apagadas, escrito “cemitério” e ao lado direito escrito com sangue ou algo parecido à palavra que inicialmente não fez muito sentido para nós, mas depois ela serviu de consolo para alguns, a palavra “nosso”.

Não podíamos ficar ali parados, estávamos completamente sem rumo, decidimos continuar porque se voltássemos perderíamos tempo, e ficaríamos mais expostos do que já estávamos; mais alguns passos à frente e encontramos as lápides, de diferentes tamanhos, mais todas com a mesma data, presumi que ali estavam enterradas as almas dos guerreiros de outra batalha.

―Flechas de fogo! Gritou um dos guerreiros que nos acompanhava, viramos rapidamente para o céu do leste que agora brilhava intensivamente, pulamos rapidamente para trás das lápidas, mais sabíamos que seria inevitável.

―Ataque inimigo! Protejam-se!― Disse Fiehnne recebendo uma das flechas no peitoral de sua armadura, ela ultrapassou, retorcendo-se ele foi jogado para longe de todos nós, as flechas não cessaram, muitos foram atingidos. Poucos restaram.

Nenhuma palavra foi dita, ficamos ali esperando, apreensivos, desejando não ter que retirar as espadas de nossas bainhas e iniciar uma batalhar corpo a corpo até a morte, passaram-se alguns minutos até ouvimos o barulho dos tambores soarem cada vez mais perto, tremendo o chão, nossos tímpanos, conseguindo até tremer o medo contido em nossas mentes.

―Homens feridos! Temos que sair daqui ou seremos aniquilados―. Gritou Oravel segurando sua lança Thrieven e olhando para o oeste.

―Vocês, escutem! Iremos por ali, corram o mais rápido que puderem. Lembrem-se de ficarem juntos!―. Concluiu.

―Sigam-me!―. Falou Impeturius. Logo após saiu correndo para o oeste, passando entre as lápides, descendo novamente a colina, a névoa e o céu totalmente escuro não facilitaram, todos os que restaram e que estavam com condições de andar saíram correndo seguindo-o. Outros ficaram para trás a fim de tentar retardar o exército inimigo, não vimos àquela batalha, mas estava perdida antes mesmo de se iniciar.

Continuamos correndo desesperadamente, sem rumo algum, já podíamos ver tochas inimigas e o barulho de armamentos, o ritmo agressivo dos tambores e o som da marcha dos exércitos vindo em nossa direção.

O desespero nos atormentou até o momento que percebemos que estávamos perdidos e que havíamos nos separados, alguns de nós não estavam mais conosco, Oravel, Impeturius e eu continuávamos unidos, mas não por muito tempo.

Depois de descermos a colina, em direção ao oeste, nos deparamos com grandes rochas e bifurcações em um terreno deformado, fomos seguindo um caminho estreito entre as fendas, o acesso se tornava cada vez mais difícil, a névoa nos impossibilitou de vermos o que se passava em nosso redor, eles pareciam estar em todos os lugares, em todas as direções que pegávamos certamente eles estariam lá, nos esperando, espreitando, aguardando o momento certo para flanquear.

―Homens, está na hora de nos separarmos, talvez algum de nós ainda tenha chance de escapar deste inferno―. Sussurrei perto deles.

―Bravarorn, não queria acreditar em suas palavras, mas receio que seja verdade, nossos dias de gloria chegaram ao fim―. Disse Oravel, parando e olhando para o céu negro e opaco.

―Creio que agora seria o momento de nos despedirmos irmãos―. Complementou Impeturius cravando seu machado Fhurünym no chão e estendendo suas duas mãos, uma para Oravel e a outra para mim. Não foi uma longa despedida, apenas trocamos algumas palavras, desejamos sorte para todos nós, e seguimos por três diferentes caminhos naquele labirinto de rochas e pedras que a natureza deveria ter criado exclusivamente para pobres almas se perderem e se conformarem por aquele lugar se tornar um túmulo para seus corpos.

Corri tomando todo o cuidado possível para não ser ouvido, pois ser visto em meio essa névoa seria impossível sem longas tochas ou qualquer tipo de iluminação. Não ouvi mais nada após passar por uma gruta que se assemelhava com um buraco que atravessava em uma grande espécie de rocha deformada e porosa.

Veio em minha mente, “Mais uma vez perdido”. Eu estava perdido desde que aquela tempestade cruzou nosso caminho, em meio há tantos Arnhieriums e Linariums (embarcações inimigas) perdemos nossa rota principal, saímos do curso e embarcamos neste lugar, o inferno.

Caminhei pelo frio intenso durante horas, o terreno agora se tornara plano, sem nenhuma imperfeição, não pude ouvir mais nada, nem ao menos o som do vento ou o barulho da própria natureza, tudo parecia estar morto, imóvel, inexplorado. Mesmo a névoa que parecia interminável, agora tinha se esvaído por completo, não havia nuvens, não havia estrelas no céu, apenas o reflexo da planície negra em que eu me encontrava sendo refletida sublimemente no manto da noite, de inicio não consegui distinguir aquele céu da planície aparentemente inabitada.
Mais alguns passos e no horizonte uma luz avermelhada surgiu, se elevando como o nascer do sol, reluzente e grandiosa, ela brilhava intensamente no horizonte distante, comecei então a seguir em sua direção, seus feixes de luz colossais eram quase consumidos completamente pela escuridão da noite, andei olhando fixamente no horizonte, então pude ver a ápice de duas torres monstruosamente gigantes, uma postada ao lado da outra, contendo um espaço significantemente grande entre elas, mas eu não conseguia ver dali o que elas guardavam, podia-se ver o vermelho da luz sendo refletida em todas as partes das torres, com certeza elas não eram feitas de meras pedras, essas particuladamente brilhavam e refletiam intensamente, mas ainda sim, continuavam a passar o ar agonizante e desprovido de vida em suas feições.

Finalmente chequei perto o bastante para ver aquelas monumentais torres, e entre elas havia um portão, não um portão qualquer, aquele deveria ter uns setenta e cinco chördail’s, já as torres, eram maiores, cento e vinte chördail’s, suponho. Era do portão que a luz vinha, o vermelho intenso e flamejante brotava de suas frestas, sua simetria era perfeita e magnífica, seus detalhes complexos talhados em suas colunas pareciam ser escrituras antigas, nunca havia visto algo tão grandioso antes.

O portão negro e aterrorizante permanecia intacto, podia-se sentir presenças agonizantes e perturbadoras presas de alguma forma dentro dele. Fiquei paralisado observando-o, esperando que algo acontecesse, talvez eu já estivesse dormindo e tudo aquilo fosse minha imaginação, ou talvez morto, e aquele portão tenebroso seria a passagem para outro mundo, o qual eu realmente pertencia.
Ajoelhei-me esperando uma ultima ceifada de dor e sofrimento vir, esperando meu corpo sucumbir e perecer ali em frente ao portão, eu não iria mais caminhar, não havia nada a muitas léguas de distancias, eu estava sozinho e pronto para morrer. Foi quando ouvi uma voz dizer “Sua jornada ainda não acabou...”, cai por completo no chão, sem forças, sem lagrimas para derramar, então não resisti ao chamado de Hipnos e me aprofundei no mais absoluto sono.

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